gota1a.gif (1190 bytes)Sobre a Hiperidrose

gota1a.gif (1190 bytes)Conceito, Incidência, Quadro Clínico

gota1a.gif (1190 bytes)Opções de Tratamento Clínico

gota1a.gif (1190 bytes)Simpatectomia Torácica Videotoracoscópica

gota1a.gif (1190 bytes)Histórico

gota1a.gif (1190 bytes)Indicação Cirúrgica

gota1a.gif (1190 bytes)Técnica Operatória

gota1a.gif (1190 bytes)Pós Operatório

gota1a.gif (1190 bytes)Resultados Cirúrgicos

gota1a.gif (1190 bytes)Efeitos Colaterais e Complicações

gota1a.gif (1190 bytes)Conclusão

gota1a.gif (1190 bytes)FAQ

gota1a.gif (1190 bytes)Imagens Cirúrgicas

Fotografias Operatórias

Vídeo

Trabalhos Publicados pelo grupo VATS da UNIFESP


 

Conceito, Incidência, Quadro Clínico

O suor é necessário para o controle da temperatura corpórea, especialmente durante o exercício ou sob temperaturas mais elevadas do ambiente. A sudorese é regulada pelo sistema nervoso autônomo simpático. A hiperatividade das glândulas sudoríparas levam à perspiração excessiva. Esta condição é conhecida como hiperidrose.

A hiperidrose é situação relativamente freqüente, com incidência relatada entre 0,6 a 1 % da população. Não se tratando de doença grave, quanto a risco de vida, trata-se de situação extremamente desconfortável, que causa profundo embaraço social e transtornos de relacionamento e psicológicos no portador, que freqüentemente se isola socialmente e adquire hábitos procurando esconder o seu problema. Curiosamente, por diversos fatores, uma parcela ínfima dos pacientes tem seu problema resolvido e tratado de forma eficaz e duradoura.

A hiperidrose pode ser primária ou secundária a uma doença de base como hipertiroidismo, distúrbios psiquiátricos, menopausa ou obesidade. No presente trabalho focalizamos a abordagem terapêutica da hiperidrose primária.

O início dos sintomas pode ocorrer na infância, na adolescência ou somente na idade adulta, por razões desconhecidas. Eventualmente podemos encontrar história familiar.

Os pacientes referem sudorese constante, as vezes inesperada, mas a maioria deles relata fatores agravantes. Os fatores desencadeantes da sudorese excessiva são o aumento da temperatura ambiente, o exercício, a febre, a ansiedade e a ingestão de comidas condimentadas. Geralmente há melhora dos sintomas durante o sono. O suor pode ser quente ou frio, mas a sudorese é constante. Pode afetar todo o corpo ou ser confinada à região palmar, plantar, axilar, inframamaria, inguinal ou cranio-facial.

Esquema do corpo humano, mostrando as áreas mais frequentemente atingidas pela Hiperidrose Primária.

A sudorese excessiva e constante é uma condição constrangedora, desagradável, que dificulta as atividades do dia-a-dia e interfere no trabalho, no lazer e nas atividades sociais. Atividades diárias como escrever, apertar a mão de outra pessoa, segurar papéis, e outras atitudes simples podem ser adversamente afetada pela hiperidrose. Quando o quadro de hiperidrose é grave, ocorre gotejamento espontâneo na região afetada. Nos casos mais graves, a pele pode ficar macerada ou mesmo fissurada. Quando a sudorese é mais intensa na região axilar, outros sintomas desagradáveis são relatados. O exsudato pode causar odor fétido (bromidrose). O odor fétido é causado pela decomposição do suor e debris celulares de bactérias e fungos. Assim, pode contribuir para o aparecimento e manutenção de outras doenças de pele como infecções piogênicas, fúngicas, dermatite de contato, etc.

Opções de tratamento clínico

Classicamente, a hiperidrose foi tratada de diversas formas, dependendo da intensidade dos sintomas. As opções de tratamento clínico incluem:

Como podemos notar, as opções de tratamento clínico são pouco satisfatórias, as vezes desconfortáveis e necessitam ser utilizadas por um período indeterminado.

Recentemente, a introdução da Simpatectomia Torácica por Videotoracoscopia revolucionou o tratamento da hiperidrose. Em pouco tempo, esse procedimento assumiu a posição de tratamento seguro, definitivo e pouco invasivo no tratamento dessa condição.

Simpatectomia Torácica Videotoracoscópica

 

Histórico

Há muitos anos sabe-se que a simpatectomia cervico-torácica poderia eliminar os sintomas da hiperidrose palmar. A presença de complicações sérias após a operação convencional – principalmente a Síndrome de Horner causada pela lesão do gânglio estrelado ( ptose palpebral, enoftalmia, miose) – fez com que esse procedimento fosse pouco utilizado no tratamento da hiperidrose. A simpatectomia torácica convencional foi pouco utilizado pois envolvia a realização de uma toracotomia tradicional, posterior, aberta, invasiva (cirurgia de porte considerável) com todos os seus riscos, para o tratamento de uma condição benigna. Esta via de acesso apresenta desvantagens como a necessidade de internação hospitalar mais prolongada, com demora no retorna às atividades habituais, dor no período pós operatório e resultado estético pouco satisfatório.

Anatomia do sistema nervoso autônomo, mostrando a cadeia simpática cervical. A fusão do último gânglio cervical e o primeiro torácico é chamada gânglio estrelado.

Corte tranverso do tórax, observando-se a medula espinhal e as raizes nervosas, de onde originam-se os nervos intercostais. Observa-se a cadeia simpática junto a coluna, em frente ao processo tranverso da vértebra. O corte tranversal permite observar os “ramos comunicantes” Anatomia do sistema nervoso autônomo, mostrando a porção torácica da cadeia simpática. O gânglio estrelado pode ser visto na entrada do tórax.

Na década de 90, com o advento da videotoracoscopia e a sistematização de suas indicações possibilitou que esse procedimento fosse indicado e utilizado com significante benefício para os pacientes. Com a videotoracoscopia, através de pequenas incisões, o cirurgião pode retirar ou destruir a porção da cadeia simpática que interessa no tratamento da afecção. É método seguro, pois permite a abordagem precisa, sob visão direta, poupando as estruturas vizinhas, particularmente o gânglio estrelado. O resultado é imediato e duradouro. O paciente recebe alta no dia seguinte à operação e retorna rapidamente a suas atividades habituais.

 

Indicação Cirúrgica

A simpatectomia torácica pode ser utilizada no tratamento da hiperidrose palmar e axilar, na distrofia simpática reflexa, em casos selecionados de isquemia grave de membro (doença vascular periférica embólica ou aterosclerótica), doença de Raynaud e causalgia. Os melhores resultados são encontrados no tratamento da hiperidrose primária. Os pacientes portadores de hiperidrose primária grave, geralmente já tentaram inúmeros tipos de tratamento conservador, prescritos por vários clínicos, dermatologistas e até psiquiatras.

O procedimento está contra-indicado nos pacientes portadores de hiperidrose secundária, nos pacientes portadores de insuficiência respiratória ou cardiovascular grave (impossibilidade de ventilação monopulmonar durante o procedimento) e nos pacientes com seqüela de doença pleural (tuberculose, empiema).

Técnica Operatória

O paciente pode ser internado na véspera ou no próprio dia da operação.

A simpatectomia toracoscópica é realizada na sala de operação, onde o paciente é inicialmente monitorizado e anestesiado. Utilizamos a anestesia geral e intubação brônquica, com o paciente em decúbito dorsal horizontal. Durante todo o procedimento, o paciente é monitorizado com pressão arterial média não invasiva, cardioscópio, saturômetro de pulso e capnógrafo.

O procedimento operatório pode ser realizado com o paciente em decúbito lateral ou dorsal horizontal com abdução dos membros superiores, de maneira a formar um ângulo de 90º com o tórax (casos de abordagem bilateral).

No procedimento clássico, com ressecção da cadeia simpática de T2 a T4, o equipamento necessário para a operação consiste de uma óptica rígida de 5 a 10 mm de diâmetro, com ângulo de 0º, câmera e o monitor de vídeo para visibilização do campo operatório. Os instrumentos utilizados são: uma tesoura tipo Metzenbaum de 5mm de diâmetro acoplada ao termocautério, uma pinça hemostática (dissector) curva de 5 mm de diâmetro e um aspirador/irrigador. Utilizamos por vezes aplicadores de clip laparoscópico e um afastador retrátil.

Na operação clássica, após o bloqueio pulmonar, três pequenas incisões são realizadas nos espaços intercostais da região axilar. Por uma das incisões é introduzido o endoscópio para visualizar o campo operatório, e pelo outros dois orifícios são introduzidos os instrumentos necessários para realizar a operação. Após a realização da primeira incisão (3º ou 4º espaço intercostal, linha axilar média), a câmera é inserida, para visualizar a abertura e introdução dos outros ports e instrumentos.

O procedimento começa com exploração da cavidade pleural e liberação de eventuais aderências. A cadeia simpática é então visibilizada sob a pleura parietal que reveste da 1º a 4 º costela. Pode-se então identificar os gânglios responsáveis pela área afetada por hiperidrose. Estes gânglios serão removidos, após abertura da pleura parietal e dissecção dos mesmos. Para revisão da hemostasia, utilizamos lavar o leito operatório com soro fisiológico. Um dreno pleural 20 ou 24F é colocado por um dos "ports" e posicionado endoscopicamente. Os instrumentos são retirados, o pulmão é insuflado e as incisões são fechadas com fio absorvível. O procedimento é repetido no outro hemitórax.

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Esse procedimento dito "convencional" tem sofrido diversas modificações, sempre tentando tornar o procedimento mais simples e rápido. No nosso grupo, temos utilizado de rotina apenas duas incisões de 5mm, dissectores mais finos e a dremagem pleural tem sido dispensada. A disponibilidade de opticas de 2mm com qualidade de imagem bastante aceitável (Minisite, USSC) fez com que alguns cirurgiões desenvolvessem técnica com único orifío, como uma perfuração de agulha ("needlescopic sympathicotomy"). Claro que com esta técnica, o cirurgião apenas destroi com eletrocoagulação, ou laser, o gânglio T2.

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Pós Operatório

Ao término do procedimento, o paciente é encaminhado a sala de recuperação anestésica, onde é realizado radiografia de tórax. Após alta da recuperação anestésica, o paciente é encorajado a deambular no quarto, e a iniciar dieta liquida. Administramos analgésicos por via oral nos primeiros dias do período pós-operatório.

O paciente é orientado para exercícios respiratórios inspiração profunda e sustentada.

Na ausência de complicações, o paciente pode receber alta no dia seguinte à operação.

O paciente pode retornar a suas atividades habituais dentro de poucos dias, no máximo dentro de 7 a 10 dias.

As cicatrizes são muito pequenas, quase imperceptíveis e não há pontos na pele para serem retirados.

Resultados Cirúrgicos

Os resultados são dramáticos. As extremidades superiores (membros superiores e axilas) encontram-se secos e quentes assim que o paciente recupera-se da anestesia em 95% dos casos. Os pacientes referem que pela primeira vez, em muitos anos, as mãos estão secas e quentes. Em 70% das vezes, o mesmo ocorre em relação à hiperidrose plantar e craniofacial. Podemos notar ainda, melhora em relação à palpitações e taquicardia. Os resultados são geralmente permanentes. A melhora na qualidade de vida é indiscutível.

Efeitos Colaterais e Complicações

Em 20 a 50% dos pacientes, pode ocorrer hiperidrose compensatória. Trata-se de um aumento da sudorese em outras partes do corpo, geralmente no dorso e coxas. Provavelmente representa uma resposta termo-reguladora do organismo (GJERRIS & OLESEN, 1975). Esta condição é tolerável para maioria dos pacientes: cerca de 10% apenas queixam-se desta perspiração excessiva, mas a toleram melhor que a sudorese palmar. Na maioria dos casos, o quadro melhora com o passar do tempo (aproximadamente 6 meses) ou o paciente aprende a conviver com ela (ADAR 1994, LEAO et al, 1999). Acredita-se que a ressecção mais econômica da cadeia simpática possa resultar em hiperidrose compensatória menos acentuada (GOSSOT, 1995, KAO et al., 1996).

A nevralgia intercostal esta relacionada ao trauma de costelas e feixe vasculo-nervoso por trocaters, lesão térmica ou uso de dreno pleural pós operatório.

A síndrome de Claude- Bernard-Horner (ptose palpebral, miose, enoftalmia) é complicação rara, relacionada à lesão do gânglio estrelado. Sua ocorrência é extremamente baixa nas mãos de um cirurgião experiente.

O pneumotórax residual pós operatório é uma complicação possível, que na maioria das vezes, resolve-se espontaneamente (é absorvido), não necessitando intervenção específica.

O hemotórax, a lesão do parenquima pulmonar, do plexo braquial e a infecção da ferida operatória também são complicações possíveis, embora bastante raras.

Conclusão

A simpatectomia videotoracoscópica tem se mostrado o único método eficaz para curar a hiperidrose moderada e grave de mãos e faces. É o método de escolha, especialmente se outras opções terapêuticas já foram testadas, sem resultado satisfatório. Constitui-se também em método eficaz para o tratamento do "blushing facial".

A técnica endoscópica é extremamente segura e eficaz, pois conduz à cura definitiva em quase 100% dos casos.

FAQ

O que é a Hiperidrose Palmar ?

É uma situação clínica onde existe uma sudorese excessiva, principalmente
nas palmas das mãos e nas plantas dos pés. O portador da doença tem as mãos
sempre molhadas, geralmente, chega a pingar suor e tem a planta dos pés
molhadas, situação extremamente desconfortável, que impede o uso de meias
comuns. Pode haver perda significante de líquido.

Qual a causa da doença ?

A "causa" da hiperidrose primária é desconhecida. Sabe-se que a
transpiração (sudorese) é essencial para a vida. O controle das glândulas
sudoríparas é feito pelo sistema nervoso autônomo. Na hiperidrose parece
ocorrer uma hiperestimulação das glândulas sudoríparas pelo sistema nervoso
autônomo, simpático.

Quem pode ser acometido pela doença ?

Ocorre em ambos os sexos e desde a infância. Parece que a incidência da
hiperidrose situa-se entre 0,6 a 1% da população. Ocorre em todas as raças,
mas há evidências também de incidência um pouco maior em judeus e orientais.

Como é a cirurgia ?

A operação toracoscópica é feita sob anestesia geral , são feitos dois ou
três pequenos orifícios no tórax, por onde são introduzidas a óptica e o
material de trabalho. A vídeo toracoscopia permite identificar por dentro do
tórax a cadeia simpática, e nos permite retirar ou destruir seletivamente a
porção que interessa (geralmente T2 a T4 na hiperidrose). O risco de lesão
do gânglio estrelado (e síndrome de Horner como complicação - que era o
grande problema da cirurgia "aberta") é praticamente nulo.
Não há necessidade de uso de drenos torácicos no pós operatório. A cirurgia
pode ser realizada em ambos os lados em uma única sessão e os pacientes têm
tido alta no dia seguinte à operação.

Os resultados são imediatos ?

A técnica da simpatectomia videotoracoscópica tem propiciado resultados
excelentes na sudorese palmar (98%); em cerca de 70% dos casos também
melhora a sudorese na planta dos pés. A melhora é imediata, já observada na
sala de operação.
No pós operatório, é impressionante a felicidade dos pacientes. Na verdade,
parece que depois de tanto tempo experimentando de tudo, já não acreditavam
que teriam seu problema resolvido.
Não há evidências de recidiva do problema, desde que a técnica adequada seja
utilizada.

Há complicações da operação?

Apesar de tratar-se de operação com anestesia geral, os riscos são os
normais para operações desse porte. No passado, o grande temor da
simpatectomia cervico toracica era a lesão do gânglio estrelado (T1) que
produzia a Síndrome de Horner, com queda da pálpebra, pupilas contraídas,
etc. Com a moderna técnica videotoracoscópica, essa complicação virtualmente
desapareceu, pois apenas região responsável pela sudorese excessiva é
destruída com precisão. Cerca de 50% dos pacientes operados apresentam no
pós operatório a chamada "sudorese compensatória", geralmente no dorso e o
abdômen. A maioria dos pacientes acostuma-se rapidamente com essa situação,
que tende a normalizar-se dentro de 6 meses.

A cirurgia deixa marcas anti-estéticas ?

Do ponto de vista estético as incisões da videotoracoscopia são bastante
pequenas, geralmente sob a axila. Mais recentemente, com o advento de
ópticas e equipamento de menor diâmetro, a simpatectomia torácica
toracoscópica está sendo realizada com incisões ainda menores, que nem
necessitam sutura na pele.


 

gota1a.gif (1190 bytes)Trabalhos publicados sobre Simpatectomia

 

gota1a.gif (1190 bytes)Imagens Cirúrgicas

Fotografias Operatórias

Vídeo (Em breve)

 

Maiores informações : webmaster@hiperidrose.com